Em 14 de agosto de 2025, a Zamp (ZAMP3) informou que seu Conselho de Administração emitiu parecer favorável à oferta pública de aquisição (OPA) de ações ordinárias, passo necessário para viabilizar a conversão do registro de emissor na CVM da categoria A para B e a consequente saída do Segmento Básico da B3. A OPA foi lançada em 7 de agosto e o parecer atende ao rito previsto no Estatuto Social e nas normas da CVM. A companhia reiterou que seguirá comunicando os desdobramentos pelos seus canais oficiais.
Este parecer dá continuidade à estratégia de simplificação societária e deslistagem que vinha ganhando tração desde o meio do ano. O movimento consolida a sinalização de alinhamento entre controladora e minoritários, evidenciada pelo encerramento, em junho, do prazo para contestação da conversão de categoria sem qualquer oposição dos acionistas. Ao reconhecer formalmente que a OPA viabiliza a migração para a categoria B, o Conselho pavimenta a fase final do processo, reduz incertezas regulatórias e indica ao mercado a intenção de encerrar o ciclo como companhia aberta, deslocando o foco para a execução operacional sob uma estrutura de capital mais simples.
Na sequência desse rito, a etapa regulatória caminhou para sua consolidação com a aprovação da OPA pela CVM, a R$ 3,50 por ação, consolidando a reorganização e preparando o leilão de 8 de setembro de 2025. Em termos estratégicos, a mudança para a categoria B e a saída do Segmento Básico completam um redesenho de governança que reconfigura o relacionamento da Zamp com o mercado de capitais, oferecendo uma saída clara aos investidores e abrindo espaço para a controladora implementar sua tese fora do ambiente de capital aberto.
Do lado operacional, os números mais recentes ajudam a compreender o pano de fundo dessa decisão. Os resultados do 2T25, com avanço de receita para R$ 1,3 bilhão (+15,9% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 173,5 milhões (margem de 13,5%), refletiram a integração de Starbucks e Subway, ao mesmo tempo em que a empresa ainda absorve pressões de custos e um prejuízo líquido maior. Nas vendas mesmas lojas, Burger King cresceu 1,1%, enquanto Popeyes (+22,3%), Starbucks (+21,7%) e Subway (+30,1%) sustentaram a tese multimarcas; os canais digitais já representam mais da metade da receita. Esse quadro indica que a reorganização societária avança em paralelo a uma agenda operacional de diversificação e ganhos de escala.
Em governança e execução, a companhia também ajustou a liderança para reforçar avenidas de crescimento. A reconfiguração da alta gestão, com a nomeação de Guilherme Favaro para comandar a unidade de negócios da Popeyes, conecta-se à estratégia de acelerar marcas com maior tração em SSS e diluir a dependência do Burger King. Assim, o parecer favorável do Conselho à OPA não é um ato isolado: ele dá continuidade a um roteiro de transformação que combina o fechamento de capital com uma ambição operacional mais focada, criando as condições para a próxima etapa do plano da controladora.







