A TOTVS (TOTS3) negou nesta sexta-feira ter contratado banco de investimento para vender sua participação de 62,5% na Dimensa, após questionamento da CVM sobre notícia veiculada pelo InfoMoney. A empresa de software de gestão esclareceu que não há "qualquer contrato ou mandato celebrado com assessor" sobre o ativo.
No comunicado ao mercado, a companhia explicou que analisa "continuamente, no curso normal dos negócios, potenciais oportunidades de investimento e desinvestimento" para todos os ativos, incluindo a Dimensa. As interações com assessores, investidores e players estratégicos fazem parte da rotina empresarial, mas não indicam decisão de venda.
A especulação sobre a Dimensa surge em momento de transição na subsidiária, que passou por mudança de CEO em abril de 2025, quando Wagner Gramigna encerrou seu ciclo para assumir novo desafio profissional. A alteração na liderança pode ter intensificado discussões sobre o posicionamento estratégico do ativo no portfólio da TOTVS.
A Dimensa registrou receita de R$ 224 milhões em 2024, representando queda de 5,6% em relação ao ano anterior. A subsidiária apresentou lucro líquido de R$ 47,8 milhões no período, recuo de 39,5% na comparação anual. A margem EBITDA da empresa em 2023 foi de 19,8%, inferior à margem consolidada da TOTVS de cerca de 26%.
O desempenho da Dimensa contrasta significativamente com os sólidos resultados da TOTVS no primeiro trimestre de 2025, quando a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$227,7 milhões, crescimento de 43,7%, e aceleração da receita recorrente para 23%. Esta divergência de performance reforça a análise de que a subsidiária pode estar limitando o potencial de crescimento do grupo.
Segundo análise mencionada no ofício da CVM, uma eventual venda da Dimensa poderia melhorar o perfil de crescimento da TOTVS, já que a subsidiária tem crescido abaixo da média do grupo. O banco Bradesco BBI avalia que, desconsiderando a Dimensa, o crescimento da receita da TOTVS teria sido de 18,8% em 2024, ante os 17,6% reportados.
A TOTVS reforçou que manterá o mercado informado caso surjam oportunidades concretas futuras, conforme exige a regulamentação da CVM. Esta postura alinha-se com o compromisso de transparência evidenciado na 10ª edição do Relatório Anual Integrado publicado em maio, que reforça a década de posicionamento da companhia em sustentabilidade e governança corporativa. A empresa é líder no mercado de software de gestão para pequenas e médias empresas no Brasil, com mais de 70 mil clientes em 12 setores da economia.







