Na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, a Paranapanema (PMAM3), em recuperação judicial, informou que, com a conclusão da Transação celebrada em 8 de maio de 2026 com os credores do Acordo Global, liquidou de forma definitiva uma dívida histórica de R$ 4,27 bilhões, valor da Dívida Total apurada em 31 de janeiro de 2026. A operação, que extinguiu aproximadamente R$ 3,94 bilhões, ou 92,3% da dívida total, reduziu substancialmente o endividamento da companhia.

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Para implementar a Transação, foram transferidos aos credores o saldo de conta vinculada de aproximadamente R$ 41,0 milhões, o saldo judicial decorrente de cessão anterior de direitos creditórios de aproximadamente R$ 185,3 milhões e um pagamento em dinheiro de R$ 100,0 milhões, realizado na data do fato com recursos da 11ª emissão de debêntures conversíveis (títulos de dívida que podem ser convertidos em ações). O saldo remanescente de R$ 327,4 milhões será pago exclusivamente com recursos obtidos da monetização de nove direitos creditórios judiciais da companhia e de sua controlada CDPC, em até 36 meses, sem uso do caixa operacional; ao fim desse prazo, a dívida remanescente será extinta mesmo que não integralmente recebida.

A companhia recordou que o Acordo Global original, firmado em agosto de 2017 e aditado em 2021 e 2022, previa pagamentos até 2028, mas as premissas de manutenção de crédito com fornecedores e venda de ativos não operacionais não se concretizaram, levando à perda de capital de giro, ao pedido de recuperação judicial em novembro de 2022 e ao vencimento antecipado da dívida em abril de 2024. Ao longo de 2026, a administração negociou simultaneamente com 11 credores nacionais e internacionais, incluindo Cargill, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, BNP Paribas, Bank of China, ING, Scotiabank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Zion e BPS, culminando na Transação agora concluída.

A conclusão da Transação se soma a outros acordos de desalavancagem firmados em 2026, que, em conjunto, promoveram a liquidação de mais de R$ 5,1 bilhões em passivos: R$ 849,7 milhões com o Fundo BS, R$ 68,1 milhões com a AXIA Energia e R$ 48,0 milhões com o Banrisul. A Paranapanema informou que os efeitos contábeis desses acordos e da própria Transação não estão refletidos nas informações trimestrais de 30 de junho de 2026 e serão reconhecidos nas demonstrações financeiras dos períodos em que se tornarem eficazes.

Em paralelo à reestruturação de passivos, a companhia destacou evolução operacional no 2º trimestre de 2026 em relação ao 2º trimestre de 2025: receita líquida de R$ 169,2 milhões, alta de 18,6% (R$ 142,7 milhões no 2T25) e de 18,8% sobre o 1T26; lucro bruto ajustado pela ociosidade de R$ 30,0 milhões, alta de 96%, com margem de 17,8%; redução de 20% nos custos fixos de ociosidade, para R$ 66,4 milhões (R$ 83,1 milhões no 2T25); e EBIT positivo de R$ 47,2 milhões e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 68,9 milhões, frente a EBIT negativo de R$ 105,1 milhões e EBITDA negativo de R$ 79,6 milhões no 2T25, números que incluem a reversão não recorrente de provisão para contingência de R$ 100,5 milhões.

A Paranapanema ressaltou ainda que a recuperação judicial permanece em curso e que o equacionamento integral de sua estrutura de capital ainda envolve desafios. A companhia afirmou que continuará informando acionistas e o mercado sobre desdobramentos relevantes relacionados à Transação, aos acordos de desalavancagem e à sua situação financeira.

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