Na terça-feira, 23 de dezembro de 2025, a Bemobi (BMOB3) anunciou que sua subsidiária Bemobi Paytech assinou contrato para adquirir 50,1% da Paytime Fintech S.A. por R$ 28,1 milhões no fechamento, com potencial de earn-out de até R$ 27 milhões a ser pago no início de 2027 (total de até R$ 55,1 milhões). O acordo inclui opções de compra e venda da participação remanescente em duas janelas (2029 e 2031), atreladas ao desempenho de 2026 a 2030. A Paytime, que atua em Embedded Payments e PaaS, atende mais de 700 clientes, alcança mais de 300 mil estabelecimentos via modelo B2B2B e tem TPV anualizado acima de R$ 15 bilhões; registrou R$ 57,9 milhões de receita líquida nos 9M25. A operação preserva a marca Paytime para PMEs, enquanto a nova unidade Bemobi PaaS integrará as soluções à Bemobi Pay no segmento enterprise, com o cofundador Leonardo Gomes liderando ambas as frentes. O fechamento depende de condições precedentes usuais.
Estratégicamente, a aquisição expande o escopo da Bemobi de meios de pagamento para plataforma (PaaS) e reforça o posicionamento upstream em pagamentos embarcados e soluções white label no-code — acelerando cross-sell e captura de TPV corporativo. Este movimento dá continuidade à estratégia de “payments-first” destacada no 3T25, quando Pagamentos Digitais e SaaS ganharam peso no mix, com lançamentos como smart checkout e orquestrador de Pix e TPV em forte expansão. Ao acoplar a tecnologia da Paytime à Bemobi Pay e segmentar atuação (PME sob Paytime; enterprise sob Bemobi PaaS), a companhia cria uma trilha clara de upsell do onboarding ao enterprise, elevando barreiras competitivas e recorrência.
Do ponto de vista financeiro, a estrutura com earn-out e opções em etapas dilui desembolsos, preserva caixa e alinha incentivos à performance 2026–2030 — sem perder o foco em crescimento rentável. O desenho é coerente com o equilíbrio que a companhia vinha sinalizando entre retorno ao acionista e expansão: após um ano de forte geração operacional, a Bemobi executou uma distribuição robusta de proventos aprovada em dezembro de 2025, consolidando a aceleração do payout no ciclo. Assim, a entrada em PaaS via aquisição não contrasta com a disciplina de capital; ela a refina, escalonando pagamentos condicionais conforme a entrega de EBITDA-CAPEX e garantindo opcionalidade para futuras alocações.
Em governança, a maior complexidade contratual — metas para 2026, earn-out em 2027 e janelas de 2029/2031 — exige transparência e qualidade de reporte. A Bemobi pavimentou esse terreno ao aprovar a mudança de auditor para a EY em novembro de 2025, reforçando a credibilidade dos números num momento em que integra um ativo de PaaS e amplia a materialidade de Pagamentos. Em síntese, a transação fecha um ciclo: consolida a virada operacional de Pagamentos, verticaliza tecnologia com PaaS e organiza a trilha PME–enterprise, mantendo disciplina financeira e arcabouço de governança para sustentar a execução.







