A Valid (VLID3) encerrou o 3T25 com lucro líquido de R$ 52 mi (R$ 67 mi recorrente, ao excluir a despesa não recorrente de R$ 15 mi referente ao acordo com o CADE), receita de R$ 540 mi e EBITDA de R$ 115 mi (margem de 21%). Na comparação anual, houve queda de 43% no lucro e de 13% no EBITDA, mas a receita avançou 10% vs. 2T25, sinalizando retomada no curto prazo. O destaque foi ID & Gov. Digital, que atingiu EBITDA de R$ 85,6 mi (margem de 32,6%) e o maior resultado trimestral do segmento em cinco anos, enquanto os Novos Negócios cresceram 30% A/A e já respondem por 15% da receita e 16% do EBITDA, com margens superiores às linhas tradicionais.
Por vertical, ID & Gov. Digital cresceu 17% A/A em receita, sustentado por 8,2 milhões de documentos emitidos e a expansão de Governo Digital (R$ 53 mi, 17 contratos em 14 Estados) e Onboarding (R$ 20 mi). Em Mobile, a produção de SIM cards (87,1 mi de unidades, maior volume desde o 1T22) e a conclusão do projeto de eSIM para OEM ajudaram o EBITDA a chegar a R$ 26 mi (margem de 16,6%). Em Pay, apesar da queda de 40% A/A na receita, os ajustes iniciados no 2T25 devolveram a margem ao campo positivo (EBITDA de R$ 3,5 mi, margem de 2,9%), indicando início de estabilização após readequações operacionais.
Financeiramente, a geração de caixa operacional de R$ 122 mi (106% do EBITDA) e o CAPEX de R$ 52 mi resultaram em caixa líquido de R$ 48 mi (alavancagem de -0,1x). A companhia também concluiu captação de R$ 150 mi com a FINEP (TR + 3%, prazo de 13 anos, ~40% já desembolsados), reforçando a agenda de inovação e digitalização. Essa disciplina de capital convive com a remuneração ao acionista: como evento subsequente, a Valid confirmou o JCP de R$ 1,00 por ação aprovado em 21 de outubro, equilibrando retorno ao investidor com investimento em crescimento sustentável.
Em termos estratégicos, este trimestre consolida a mudança de mix em direção a ID & Gov. Digital e Novos Negócios — áreas de maior rentabilidade e recorrência —, enquanto Mobile captura volumes e migrações tecnológicas (eSIM) e Pay avança na recuperação de margens após os ajustes. No acumulado do ano até setembro, o EBITDA de R$ 311 mi (margem de 20%) e o lucro de R$ 180 mi (margem de 12%) reforçam a capacidade de geração de caixa para sustentar a expansão em Governo Digital e Onboarding, ao mesmo tempo em que as mudanças no Estatuto Social e o novo plano de ILP aprovados em 30 de outubro apontam para alinhamento de longo prazo entre gestão e acionistas. O conjunto dos movimentos sugere continuidade: fortalecer verticais de alta margem, financiar inovação com passivo de custo competitivo e manter uma política de capital que premie resultados consistentes.







